As
experiências de leitura e escrita que tive foram muito marcantes em minha vida.
Moradora da zona rural, minha mãe era analfabeta e meu pai tinha pouquíssimo
estudo, sabia escrever o nome e fazer algumas continhas apenas, mas isto nunca
foi empecilho e eles sempre me motivaram muito.
Jamais esquecerei como foi mágico aprender as letras e até hoje recordo-me da
primeira palavra que aprendi a escrever: "ESLAINE". Fiquei tão feliz
que escrevi em todas as folhas daquele simples caderno de brochura, no espaço
acima da primeira linha. Aquilo para mim tinha um significado especial. Mas,
para minha infelicidade, levei a maior bronca da professora, que me fez apagar
tudo. Tamanha era minha decepção que já não tinha vontade de aprender.
O tempo passou e voltei a sentir o prazer da descoberta nas leituras que fiz
dos livros da Coleção Cachorrinho Samba e da Série Vaga-lume (Tenho todos até
hoje em minha estante, não consigo doá-los!). Mesmo sendo cobrada na prova, a
leitura era muito prazerosa. Quando terminava um livro, ficava na expectativa
de qual seria o próximo que a professora pediria para "comprar"
(Naquela época não tinha na biblioteca e meu pai nunca deixou de comprar um
livro sequer que meus professores pediram.). E sempre que vinha para a cidade
comprar o livro, levava também um gibi (não tinha dinheiro para mais), que eu
lia inúmeras vezes do começo ao fim.
Também recordo-me com saudade da época em que minha mãe matriculou-se no Mobral
e eu a ajudava nas tarefas. Foi muito significativo ver minha mãe aprendendo a
ler e a escrever com tanto entusiasmo.
Mais tarde tive a felicidade de ser aluna da primeira turma do CEFAM, onde
repirávamos leitura e escrita... Aprendi muito com meus professores e com meus
colegas.
Acredito que todas essas experiências contribuíram para a escolha da minha
profissão: professora de Língua Portuguesa.

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